
Monthly Notes #01
Monthly Notes reúne referências, lugares, obras, pessoas e pequenas descobertas que ocuparam nossa atenção ao longo do mês. Não são necessariamente recomendações, mas coisas que despertaram curiosidade e encontraram um lugar no nosso repertório.
Blood Orange
Não sei por quê, mas eu sempre presto muito mais atenção nas partes instrumentais das músicas. Muitas vezes elas acabam sendo as minhas favoritas.
Foi por isso que o Blood Orange me pegou.
Blood Orange é o nome artístico do músico, compositor e produtor britânico Dev Hynes. Ele mistura R&B, soul, indie e funk, e acho que boa parte do que me prende está justamente na composição das músicas.
Eu fui ver o Blood Orange no Lollapalooza esse ano sem conhecer muitas músicas. Na verdade, conhecia só duas. Queria ter essa experiência de descobrir o resto ali, no show. E foi bizarro. Foi uma das apresentações que mais me marcaram. O instrumental é muito forte. Saí de lá com a sensação de ter vivido uma experiência quase transcendental.
Desde então, principalmente nesses últimos meses, ele acabou virando o artista que eu mais ouvi.
E como eu não consigo escolher uma música só, ficam cinco pra você escutar caso ainda não conheça: Charcoal Baby, Champagne Coast, Uncle ACE, Mind Loaded e Saint.
Papila Deli
Nos últimos meses fiquei completamente mergulhada no lançamento do By Locals e, quando via, já era uma da tarde e eu não tinha cozinhado nada para o almoço. O Papila Deli acabou virando meu almoço oficial.
É aquele delivery que você pede sem culpa: comida boa, saudável, com preço justo (quase sempre tem uma promoção rolando no Ifood) e que chega rápido.
Acho que já experimentei boa parte do cardápio, mas sempre volto para os mesmos pedidos: o "Monte seu poke", que monto exatamente igual toda vez, a salada pasta de salmão (teve semana que pedi três vezes) e o wrap de salmão.
E, por mais que eu tente resistir, quase sempre acabo colocando um cookie de três chocolates no carrinho.
Roxo
Tenho uma amiga que é psicóloga e ela sempre faz uns comentários que me pegam de surpresa. Às vezes parecem até um tapa na cara, mas daqueles necessários. Esses dias, durante um jantar, comentei que minha cor favorita desde criança sempre foi o roxo. Meu quarto já teve uma parede roxa, eu sempre gostei dessa cor.
Ela respondeu: "Nossa, que curioso."
Na hora achei engraçado. Como assim uma cor favorita pode ser curiosa?
Ela explicou que o roxo é uma cor muito intensa, mas também muito ligada ao lúdico. E aquilo ficou na minha cabeça.
Comecei a perceber que sempre gostei de fantasia, ficção científica e desses mundos imaginários que existem só dentro das histórias. Em algum momento, porém, acho que esse lado ficou mais escondido. Não sei se por vergonha ou por achar que já não fazia sentido mostrar isso para as pessoas.
Nos últimos meses comecei a falar mais sobre esses interesses. E foi curioso perceber que, quanto mais eu falava sobre eles, mais as pessoas enxergavam uma conexão que eu mesma nunca tinha percebido. Uma amiga comentou: "É impressionante como tudo seu acaba levando para alguma coisa de fantasia." E ela tinha razão.
Pouco depois, estive em Porto e, quando cheguei em casa, percebi que boa parte das roupas que tinha comprado eram roxas. Nem tinha sido intencional.
Que doido, né?
Acho que algumas partes da gente acabam dando um jeito de voltar.
@iyeketi
Uma coisa que eu odeio no algoritmo do Instagram é que, hoje, a cada três posts que vejo, um é de alguém que eu nem sigo. Quase sempre eu passo reto.
Mas, na semana passada, numa dessas sugestões, ele acabou me mostrando uma conta que despertou muito a minha curiosidade: a @iyeketi, perfil da artista e escultora senegalesa Aminata Mboup.
Primeiro me chamaram atenção as esculturas. Depois fui parar no perfil pessoal dela. E, curiosamente, o que mais me prendeu não foi só o resultado final das obras, mas a forma como ela fala sobre o próprio processo criativo e sobre o ofício da arte. Ela compartilha os processos, os materiais, e a construção das peças de um jeito que faz a obra parecer ainda mais interessante. Não diminui o trabalho; pelo contrário, amplia.
Talvez por eu ter me formado em moda, outra coisa que me pegou foi a forma como ela se veste. Parece existir uma continuidade muito natural entre a artista, a obra e a pessoa.
Enfim, só uma conta que descobri por acaso e achei que valia compartilhar por aqui.
