
Natureza Tecida
Escondido dentro da Mata Lab, num ambiente escuro preenchido pelos sons da natureza, abriga um pequeno ecossistema de cogumelos gigantes. Há cogumelos altos e baixos, delicados e extravagantes, todos construídos a partir de tricô, tecidos e sobras têxteis do ateliê da Anselmi. Antes mesmo de entender a proposta da exposição, a vontade é simplesmente caminhar entre eles.

Fui com três amigas e, naturalmente, transformamos a primeira sala em uma brincadeira. Cada uma escolheu seu cogumelo favorito e as outras precisavam adivinhar qual tinha sido a escolha. Curiosamente, acertamos quase todas. De algum jeito, conseguimos relacionar formas, cores e texturas às personalidades de cada uma.
Mas a exposição me conquistou de verdade alguns minutos depois.
Um vídeo mostra aquelas mesmas esculturas ocupando o lugar onde parecem pertencer: entre árvores, folhas, terra e luz natural. Ver as peças voltarem para a paisagem que inspirou sua criação torna tudo ainda mais bonito. Em determinado momento, uma frase aparece na tela:
"A gente entender que nada se faz sozinho."
Foi ela que ficou comigo.
Na arte, o processo fala tanto quanto o resultado. Às vezes, até mais.

Os cogumelos impressionam pela escala e delicadeza, mas imaginar as horas de tricô e as mãos envolvidas em transformar fios em esculturas monumentais tornou a experiência ainda mais interessante.
As esculturas são assinadas por Sandra Anselmi e carregam também o trabalho de Odete Rath, Neiva Zorzi, Graziela Soares, Gustavo Covolan, Marilice dos Santos e Thomaz Martins Neto, artesãos responsáveis por transformar fios e sobras têxteis em peças monumentais.
Talvez esse tenha sido o aspecto que mais me marcou. Em uma exposição que fala sobre como "nada se faz sozinho", olhar também para quem teceu cada peça parece uma continuação natural da própria mensagem da mostra.
No fim, saí pensando menos nos cogumelos e mais nas pessoas que ajudaram a lhes dar forma.

"Somos um único fio - Natureza tecida", de Sandra Anselmi, com curadoria da Lilian Pacce está em cartaz gratuitamente na Mata Lab até 31 de agosto, na Alameda Rio Claro, 260, em São Paulo. A visitação acontece de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, das 12h às 18h.