
Buenos Aires por Clara Oliveira
Clara Oliveira é recifense, publicitária e trabalha com marketing de influência. Mora em Buenos Aires há mais de dois anos, em Chacarita, e sua relação com a cidade já passou da simples visita como turista para a descoberta, a curiosidade e, hoje, uma sensação tranquila de pertencimento. “É possível pertencer a algum lugar sendo imigrante? Às vezes sim e às vezes não, mas seguimos na construção entre dois mundos diariamente.” Entre a dança com suas colegas 50+, os livros, a moda e sua newsletter, encontrou em Buenos Aires uma cidade onde consegue viver com qualidade, descobrir uma oferta cultural diversa e, principalmente, desacelerar. Seu olhar parte do centro, sem esquecer que Buenos Aires é muito maior do que o recorte turístico tradicional. Foi por lá que aprendeu a encontrar momentos de pausa durante a semana, valorizar os encontros em praças para compartilhar mate e conversar sobre a vida, viver de acordo com as estações e confirmar seu amor pelo Brasil, mas seguir achando incrível a imensidão do mundo.

Parque Los Andes
Buenos Aires é uma cidade que convida você a caminhar, viu? Nesse começo de percurso, indicaria começar pelo Parque Los Andes. Ele fica sobre a Avenida Corrientes, depois da Arena Movistar, e é um respiro verde para quem precisa desacelerar em plena semana. Gosto de passar por lá sempre que quero sair da frente de telas, seja em um dia ensolarado ou cinza.
Ele é dividido em duas partes e, entre elas, vira e mexe tem a feira da cidade, com frutas, verduras e plantas. Também é ótimo para quem gosta de fazer atividade física, passear com os seus cachorros ou apenas caminhar tranquilo.

Cemitério de Chacarita
Seguindo na tour, recomendo uma passagem pelo Cemitério de Chacarita pela sua arquitetura reconhecida internacionalmente e por ser um lugar de descanso para muitos ícones da cultura argentina, como é o caso do gigantesco Gustavo Cerati. Apesar de ser um cemitério, ocupa um espaço relevante dentro da história do bairro e tem as mais lindas flores também.
Pizzaria Imperio
Depois de tanto caminhar, a fome bate e nada melhor do que uma pizza na Imperio. Point clássico do bairro, a pizzaria fica muito pertinho do Cemitério de Chacarita e passa uma sensação de que ficou parada no tempo, especialmente pela sua decoração. Mas não entenda isso como uma crítica, e sim como o charme de locais resistentes à gentrificação da região.
Como em tantas outras pizzarias pelo país, você pode comprar suas fatias (amo a possibilidade de comprar fatias!!!) e comer em pé na barra feita para passantes. Recomendo fazer isso e sentir a energia local ao redor, ou sentar e desfrutar da sua pizza sem pressa alguma.
Recomendo a pizza de queijo, porque vem MUITO queijo, e depois um pudim com uma generosa porção de doce de leite como sobremesa. Sim, o exagero faz parte da experiência gastronômica. E ter um garçom sem muita paciência atendendo também, não é nada pessoal, juro.
Ali pertinho também é possível comer empanadas tucumanas deliciosas em Las Rojas. Se eu fosse você, escolheria o sabor sfija (fatay norteño) para pingar bastante limão siciliano por cima, mais uma de sabor caprese, cebola + queijo e roquefort + salsão + noz.

Sorveteria Scannapieco
Já na saideira por Chacarita, chegando no limite de Colegiales, é possível encontrar a Sorveteria Scannapieco. Ela é a minha sorveteria do coração porque possui tranquilamente o melhor sorvete de pistache da região. É outro espaço que preserva sua história, os atendentes são queridos e você pode comprar seu cucurucho (casquinha) e sentar nos bancos ou mesas para desfrutar do tempo.
A primavera já começou por aqui e a pedida do final de semana foi comprar 1/4 de sorvete, porção individual, para sentar na Plaza Mafalda, sentir o calor que já vem chegando, por sorte, e não ter pressa alguma. Em cinco minutinhos é possível fazer essa dobradinha e ter o gostinho de ser um local.

Avenida Corrientes
Amo compartilhar um rolê mais tranquilo, mas amo na mesma proporção compartilhar um rolê mais agitado e ideal para a noite.
A Avenida Corrientes é gigante e é caminho para quem quer chegar em uma das partes turísticas mais famosas da Argentina: o Obelisco. No meio da 9 de Julho, sobre Corrientes, o Obelisco é um ponto turístico obrigatório para qualquer visitante e, sempre que passo por ele, fico surpresa com a sua grandiosidade no meio da agitação de pessoas, luzes, carros e momentos históricos. Depois de tirar várias fotos, recomendo passear pela avenida, que tem uma parte fechada para uso exclusivo de pedestres. Nela você encontra gente dançando, cantando, vendendo artes, portas de teatros, farmácias, lojas, restaurantes, livrarias e uma energia de formigueiro sem fim.
La Americana
Se estou por lá, indico outra pizzaria favorita: La Americana. É meu local de encontro entre amigos, é grande e você pode entrar nela vazia e, do nada, perceber como o local pode encher no piscar de olhos. É sensação de vida pulsando na sua frente. É uma boa comer as empanadas fritas, uma porção de pizza com fainá acompanhada de uma soda e um pudim com doce de leite para compartilhar.
Teatro Colón e Plaza Lavalle
Ainda no caminho, é possível cruzar com o Teatro Colón e ficar de boca aberta com sua beleza, especialmente à noite, com as luzes ligadas. Mas, se você já ficou cansado, pode sentar na grama da Plaza Lavalle, que fica atrás do teatro, e sentir o vento passar para descansar, conversar ou comer alguma coisa na calma.
O hábito de sentar e conversar em praças é algo muito presente na minha rotina pela falta de praia perto, mas é onde consigo ficar mais próxima da natureza, pisar na grama, desacelerar, encontrar gente querida, ficar longe de telas e só viver o presente.

Librería Ateneo
Livraria é uma coisa que não falta pela cidade, mas, entre todas as livrarias, a Librería Ateneo já é ponto fixo para visitar. Passear pelos andares e seus corredores é incrível. Foi nela que comprei meu primeiro livro em espanhol do meu querido Almodóvar.

Tigre
Para finalizar, super recomendo uma escapada para Tigre. Ao norte de CABA, já foi um porto de frutas e hoje em dia é um movimentado mercado de artesanatos, ideal para quem quer passear de barco pelo delta do Paraná em um dia ensolarado, comer em algum bodegón e depois encerrar o dia vendo o pôr do sol.

