
Cidade do México por Natasha Garcia
Natasha é psicóloga, psicanalista e artista em formação, interessada sobretudo pelas artes gráficas. Sua relação com a Cidade do México começou de um jeito agridoce: no final de 2024, seu namorado se mudou para a cidade a trabalho, e ela passou a atravessar a distância entre São Paulo e a CDMX. Foram quatro viagens, sendo que em duas delas ela chegou a morar lá por um tempo, fugindo da rotina turística. De cara, se apaixonou pelos museus, pela cultura, pela comida de rua e pelas cores: “nunca vi cores tão vivas como as da CDMX”. “Tudo é intenso, tudo mesmo, até as partes difíceis, o trânsito é pesado, existe uma certa inflexibilidade com improviso, tão característico do brasileiro. Os preços são altos e a cidade sofre uma onda de gentrificação estadunidense, o que por si só cria conflitos.” Foi a partir da segunda vez que Natasha conseguiu se conectar mais com a cidade, muito por conta das bicicletas. A CDMX conta com uma grande malha de ciclofaixas e é praticamente plana. Apesar do caos, ela sempre se sentiu mais tranquila e segura andando de bicicleta por lá do que aqui. Pedalando pela cidade, passou a enxergá-la mais de perto e, aos poucos, descobriu suas iniciativas criativas, oficinas, lojas e espaços que fazem tudo parecer um pouco mais especial.

Zócalo - Plaza de la Constitución
O Zócalo é a praça central da cidade, a cidade irradia a partir de lá. É uma mistura de construções pré-hispânicas (astecas principalmente, mas não só), da colonização espanhola e já da independência mexicana. Existe um museu fantástico (Museu do Templo Mayor) que é literalmente uma pirâmide com partes soterradas. No Zócalo, você encontra desde camelôs, pessoas com trajes astecas e turistas até comidas e charretes de bicicleta. Se tem um lugar que resume essa cidade, é lá.


Museu de Antropologia
O museu mais incrível que eu já conheci. A arquitetura é um espetáculo por si só; ali, você encontra fragmentos históricos de toda a história pré-hispânica. Vá com tempo e fôlego, ele é dividido em três partes com muitas coisas. Você provavelmente vai se beneficiar de um cafezinho para renovar as energias e finalizar o passeio.
Tianguis
O mais próximo que eu encontro para explicar um tianguis são as nossas feiras. É algo como isso, mas é além. É bastante popular e pode ser bem simples. Você compra roupas (como em um brechó a céu aberto), às vezes móveis antigos (algo como a Feira do Bixiga), artesanatos, utensílios de cozinha, comida e mais quase todo tipo de objeto. O mais famoso da cidade é o Lagunilla (Tianguis de Comonfort), já conta com alguma gentrificação (os preços demonstram isso), mas ainda é um grande programa da cidade aos domingos de manhã. É possível encontrar tianguis por quase toda a cidade, eles acontecem principalmente aos sábados e domingos de manhã/início da tarde. Vale a garimpada.

Museu da Casa da Frida e Diego
Apesar do museu da Frida ser maravilhoso, tenho um carinho especial por este aqui. Ele não é tão conhecido, é mais simples e menor, mas é tão emocionante quanto. O museu basicamente é a casa e o estúdio em que Frida e Diego viveram e trabalharam por muitos anos. Você encontra os objetos da casa, a arquitetura é lindíssima, as cores incríveis, os objetos de trabalho, bem, tudo. Vale a visita.

Tacos Del Valle
Já inicio com um disclaimer: essa é uma das taquerias mais gentrificadas da cidade, até por sua localização (o bairro de La Roma), mas a comida é deliciosa. Os tacos são ótimos, os acompanhamentos (à vontade para se servir) maravilhosos e a cerveja michelada (cerveja com sal, limão e Tajín na borda do copo) brinda tudo isso. Eu amo os tacos de pastor defumado. Chegue cedo, há sempre uma fila, mas costuma ser rápida.

Tacos de Rua
Se tem uma coisa que é bem feita nessa cidade são os tacos. Me arriscaria a dizer que qualquer pequena taqueria vai te servir um taco digno. Aqui não tem luxo, são simples, gostosos e muito em conta. Tenho um do coração, fica perto de onde morava lá, no bairro de San Rafael (Calle Joaquín Vázquez de León, 89). São três mulheres que fazem, com muito cuidado e esmero, comidas deliciosas e rápidas. Eu indico a tortilla de milho negro com carne de longaniza roja. Eles ficam lá no horário do almoço, entre sexta e domingo.

Praça Rio de Janeiro
Sei que já usei a palavra gentrificação muitas vezes, rs, mas, de fato, é algo que se passa na cidade. Essa praça fica no coração do bairro La Roma, bairro que lida com essa problemática. A praça é simplesmente linda, um quadrado no meio de quatro ruas, bem arborizada, com bancos para sentar e contemplar, uma grande fonte de água com uma espécie de Davi de Michelangelo. Você sempre vai ver pessoas passeando com seus cachorros lindos, encontra gringos também, confesso, mas você também vê mexicanos de diferentes origens. Ao redor da praça, os prédios residenciais têm todo um charme e é possível encontrar um café de qualidade. Vale ler um livro lá.

Coyoacán
Também conhecido como bairro da Frida, é onde ficam os museus dela e também o do estúdio dela e de Diego. O bairro fica na zona sul da cidade, é lindo, tem a arquitetura mexicana clássica (que normalmente nós, brasileiros, não conhecemos, mas é linda, algo do traço espanhol, que, na verdade, é algo do traço árabe, casas com pátios centrais). Lá fica também o museu do Trotsky, a casa em que ele viveu e morreu no México. Tenho uma memória muito especial do dia 31/10, pré Día de los Muertos, na praça principal do bairro. Todos estavam fantasiados e eu vesti minha máscara de Catrina.

Bosque de Chapultepec
Algo como o nosso Ibirapuera, mas maior e, sendo sincera, mais bonito, rs. O parque é muito grande, dividido em três partes. Em geral, costumo frequentar o setor 1 (no final da Avenida Reforma, algo como a nossa Av. Paulista). Lá há lagos, muitas árvores, pedalinhos, pessoas, muitas crianças e famílias, comidas, espaço para piquenique. É um oásis no meio da cidade. Tenho uma memória especial na sorveteria Helados de Menique, bem ao lado do parque. Lá comi um sorvete de azeite que ainda me emociona.
Laguna
Um espaço coletivo de trabalho e criatividade. Uma vanguarda da estética moderna de CDMX se encontra ali: escritórios de design (menção especial ao Can Can Press), lojas de perfume e sabonetes, móveis, roupas e o maravilhoso café Buna. O espaço era uma antiga fábrica que foi reformada e se tornou este espaço coletivo. Ele está localizado no bairro Doctores, mais um pouco mais popular, vizinho de porta de La Roma. Vale uma visita para trabalhar e contemplar.

Café Casa del Fuego
Esse café provavelmente não estaria numa lista de cafés mais hypados da cidade, até por sua localização. Fica no bairro de Cuauhtémoc, vizinho do meu bairro, San Rafael. Apesar disso, é o café mais especial para mim, também pela sua qualidade primorosa: cafés de altíssima qualidade e uma seleção de bagels que deixa NY no chinelo, bem como pelas lembranças felizes de manhãs de domingo lá. Vale um brunch de domingo.