
Marseille por Pedro Guedes
“Nunca foi meu sonho morar lá, na verdade, eu já tinha visitado duas vezes e não tinha gostado.” Para alguém que não gosta de praia nem de calor, Pedro acabou em Marseille por acaso, Na incerteza do mundo pós-pandemia, se mudou para lá para um trabalho de 3 meses que acabou virando 2 anos que no final, poderiam ter sido muito mais. Urbanista, Pedro acabou mudando sua opinião de Marseille, uma cidade caótica, confusa, problemática, mas extremamente bonita, calorosa, animada e muito rica culturalmente. “Não tem nada a ver com Paris ou com a imagem que se tem da França: em vez da arquitetura homogênea e dos jardins bem-cuidados, Marseille brilha pela sua beleza natural, seu relevo acidentado banhado pelo mar mediterrâneo, e seu céu sempre azul.” Depois dos dois anos, Pedro saiu de lá animado com o futuro, mas triste por deixar para trás uma cidade que o ensinou que o caos é belo e humano.

Dizonord Marseille
Filial de uma loja de discos de Paris, mas com uma seleção melhor que a sede. Evitava ir lá porque, sempre que entrava, levava alguma coisa.
Longchamp Palace
Um lugar improvável. Não é boteco nem é pretensioso. Acho que nunca fui lá sem ser em dia de semana: é um daqueles bares onde você acaba indo por acaso numa segunda ou terça-feira, quando sabe que não deveria ficar até tarde, mas também não consegue ir embora. Onde, se você chega ao bar com uma cara de quem não sabe o que quer, te perguntam: “Você gosta do quê?” E te servem algo inesperado, mas que faz todo o sentido.
Cours Julien, Place Jean Jaurès (La Plaine) e as ruas entre os dois
Para mim, a definição de fervo. Duas praças rodeadas de bares e restaurantes para todos os gostos, conectadas por duas ruas que guardam, elas também, suas surpresas. Mares de mesas e cadeiras e amigos de longa data tendo discussões calorosas ou desabafando sobre a vida.
Estúdios de tatuagem, brechós, sorveterias, feiras de livros, cinemas alternativos: não há data ou hora em que não aconteça algo. Alguns lugares específicos me marcaram, mas, mesmo sem recomendações, valeria a pena visitar, até porque toda semana abre algo novo.
Indico o L’Eléphant Rose à Pois Blancs, sorveteria caseira aberta até tarde, perfeita para refrescar uma noite de verão. O Au Petit Nice possivelmente tem a cerveja mais barata da cidade. Mas, para mim, é o melhor lugar para tomar pastis, aperitivo à base de anis-estrelado, geralmente servido diluído e com gelo, ícone da cidade. La Soifferie é um bar um pouco mais delicado, sem ser chique, e também com uma atmosfera ótima. Boa seleção de cervejas e coquetéis originais. Indico também o Le Molotov, pequena casa de shows alternativa, para fãs de metal, punk, rock, reggae e hip-hop. Se você gosta de artistas estranhos que ninguém nunca ouviu falar, é aqui que eles vão tocar.
Bairro de Endoume: Vallon des Auffes, Malmousque, Maldormé e Anse de la Fausse Monnaie
Gosto de ver o mar, não de entrar no mar, nem de passar o dia torrando deitado na areia. Para mim, esse é o passeio perfeito: se perder nas ruas entre a Corniche Kennedy e a praia, tentando achar o mar; sentar numa pedra e admirar o mar; ligar para um amigo, tirar fotos ou ouvir música; levantar, caminhar mais um pouco e repetir.
Se estiver com tempo, continue caminhando pela Corniche em direção à Plage du Prophète e desça as escadas para sentar nas pedras embaixo da avenida.



Sur le Pouce
Por sua localização e seu importante porto, Marseille foi uma das principais portas de entrada da imigração norte-africana durante o processo de descolonização da África francesa a partir dos anos 50. Por conta disso, a cidade é repleta de restaurantes de comida dos diversos países do norte da África, sendo o cuscuz um de seus pratos mais emblemáticos.
O Sur le Pouce é uma opção boa, barata e flexível, pois é possível escolher o acompanhamento de acordo com o seu gosto (ou sem acompanhamento, para vegetarianos).
Restaurant La Palestine
Como diz o nome, restaurante de comida palestina. Conheci através de colegas de trabalho pouco antes de me mudar da cidade e me arrependo de não ter ido mais vezes.
Unité d’Habitation
Ícone da arquitetura modernista de Le Corbusier, mesma escola que nos deu os pilotis do Plano Piloto de Brasília. Quando fui, era possível subir e visitar as “ruas no céu”, corredores comerciais e também o terraço, que tem uma bela vista da cidade.
Atenção: é um prédio habitado, então é importante se informar no site antes de visitar se ainda é possível fazer a visita e respeitar as regras e os moradores.




Pizza Capri
Pizza vendida por fatia, me acompanhou em muitas voltas para casa depois de uma festa ou bar, ou então quando batia fome enquanto passeava pela cidade. A Pizza Capri foi a que mais frequentei no meu tempo lá, mas tem várias outras pizzarias espalhadas pela cidade.
Ilhas de Frioul
Ilhas a uns poucos quilômetros da cidade, acessíveis de barco saindo do Vieux Port. Antiga propriedade militar fechada ao público até 1975. Bom para passar o dia, fazer trilhas e aproveitar as praias menos cheias que as da cidade, de quebra com uma bela vista de Endoume.
Atenção: há poucas árvores e, por ser uma ilha, o vento é mais forte. Passe protetor solar se não quiser voltar queimado.

