
Sundays por Augusto Ribeiro
Designer e fundador da Breve Cerâmica, Augusto Ribeiro chegou a São Paulo aos 25 anos, vindo do Rio de Janeiro. Depois de passar pelo Brooklin e pela Vila Olímpia, foi no Baixo Pinheiros, onde morou por cerca de dez anos, que encontrou seu lugar na cidade. “É aquela coisa de conhecer as pessoas, o segurança da rua do lado, o cara da banca, dar oi na rua, conhecer os pequenos comércios. Tinha um monte de lojinha ali. Era um lugar tipicamente de nordestinos. E o negócio foi gentrificando, gentrificando, mas quando eu cheguei ainda era bem isso. Só tinha o meu prédio, que era essa ilha. E eu fui vendo isso mudar muito ao longo do tempo. Foi tudo desaparecendo pra dar lugar a restaurantes, bares e principalmente prédios grandes. Mas eu conheci muito ali, então tem muita indicação de lugarzinhos, esses que sobreviveram a toda essa gentrificação, que ainda estão aí, sabe-se lá por quanto tempo.” A bicicleta também acabou se tornando uma das principais formas de Augusto conhecer São Paulo. É assim que ele se locomove, faz compras, vai ao trabalho e passeia pela cidade. “Pra mim, principalmente sendo carioca e sentindo falta da natureza, acho que a bike supre um pouco isso de estar ao ar livre, de sentir e perceber a cidade de outra maneira, em outra escala, em outro tempo. Você vê mais detalhes, coisas que não vê quando passa de carro.”

Meu bairro: Baixo Pinheiros e os pequenos negócios
Foi no Baixo Pinheiros que eu me achei na cidade, então tenho muita indicação de lugares por ali. O Bar do Gonzaga tem bolinhos deliciosos fritos na hora, garrafada de tudo que é ingrediente, cerveja gelada e preço justo. O Cantinho do Baião de Dois alimenta a barriga e o coração. É comida nordestina feita com muito carinho por Vilma e Milton, um casal muito simpático. E é baratinho. No Tank Brewpub, tem cerveja artesanal de alta qualidade produzida no próprio local. O Tank Brewpub encerrou suas atividades em agosto desse ano, mas suas cervejas continuam presentes no Ambar Cervejas Artesanais e no Ifood.


O EAP é o maior e mais clássico bar de cerveja artesanal de SP, com 42 torneiras de chope do mundo inteiro e dezenas de geladeiras com centenas de rótulos. Gosto de sentar no balcão e ir conversar com o cara que tira o chope pra provar vários. Gosto também de passar ali no fim de semana depois do pedal e levar uma lata pra casa. O Mussashino é um japonês raiz, barato e sem frescura. Bom pra comer um PF no almoço, o famoso teishoku. No Pato Rei, tem cafés fodas e omuraissu — aquele arroz frito japonês com o omelete em cima, que você corta e desmancha sobre o arroz. E o Costa Nova é um restaurante português tradicional, com bolinho de bacalhau delicioso, vários pratos de bacalhau e polvo a um preço justo.
Zona Oeste
O Mirante do Mangue é um cantinho da Vila Madalena com uma vista incrível da cidade. Dá pra tomar cerveja, caipirinha e comer pastel. Não parece SP. O Sororoca serve peixes na brasa e muito mais, só perguntar pro chef, que normalmente está pelo salão, qual o melhor do dia. É de um dos chefs que mais admiro, Marcelo Corrêa Bastos, pode ir em todos os restaurantes dele: Lobozó, Vista e Jiquitaia.
O Bar da Dona Vânia (ou Bar e Tabacaria Grandes Amigos) se resume em cerveja em pé, samba de qualidade e galerinha do bairro. Indico comer o shawarma do trailer dos sírios ao lado. No Velhas Piratas, tem frutos do mar frescos direto do litoral de SP. Gosto de sentar do lado de fora e comer um baião de 2 de frutos do mar. O Nelito tem um clima gostoso, entrada toda cercada de árvores, cerveja e comida simples, mas gostosa e bem servida.

O Tiro Liro é um bar de português, só cabeça branca, com estufa de petiscos frios, conservas, pratos típicos portugueses e chope gelado. Tem até rã frita. E a Breve Cerâmica, é claro: loja e ateliê de cerâmica artesanal fora do comum. Um dos meus lugares preferidos para receber amigos no fim de semana, pra um churrasco ou simplesmente ficar papeando na área externa.

Pela cidade
O Museo Verónica é um espanhol tradicional, pra tomar sangria e comer tapas, indico o pan con tomate y jamón, a salada de bacalhau e as papas bravas. O Omoide Sakaba é um izakaya clássico. Pede um takoyaki na fila e depois vai nos espetinhos, barriga de porco…
E não tem como sair de rolê pelo Centro com fome e não comer o sanduíche de pernil do Estadão, de preferência com provolone e a pele do porco crocante.
Rolês de bike
Minha relação com a cidade é muito pela bike, então tem muita dica de passeios de bike pela cidade. No BMX no Cândido Portinari, tem pista profissional, bowl e street. É meu treino semanal em dia de semana de manhã.
Perto de casa, gosto de pegar um sol em algum gramado inóspito no Parque Villa-Lobos. Nem parece que tá em SP. Quando quero fazer um pedal mais forte, vou pela ciclovia da Marginal Pinheiros, de norte a sul.

E domingo é dia de atravessar a cidade, com as ruas fechadas pra bike. Dá pra pegar a ciclovia da Faria Lima até o Ibirapuera e seguir pra Vila Mariana pra comer algo. Ou subir pela Sumaré, dar voltas no Minhocão e tomar uma cervejinha em algum boteco na Barra Funda. Tem os programinhas certos, mas tem outros também de sair desbravando por aí. É muito legal poder fazer isso, só sair pedalando.