
Tbilisi por Valentina Alba
Valentina Alba tem formação em moda, é artista, trabalha com mídias sociais e é apaixonada por vinho. No começo deste ano, viajou à Geórgia com o pai e teve a oportunidade de conhecer o país por uma perspectiva diferente. A convite da Madam Sommelier, projeto de uma plataforma digital criada por Nino Kinkladze para divulgar a cultura nacional e internacional da enogastronomia na Geórgia, ela participou da segunda edição do Fórum Global de Marketing e Mídia do Vinho 2026. Além da participação no evento, que proporcionou encontros com pessoas que fazem parte do atual cenário do mercado mundial do vinho e a oportunidade de conhecer o que de melhor esse mercado tem a oferecer, Valentina teve a oportunidade de vivenciar dez dias intensos dedicados à cultura georgiana. Aqui, ela compartilha suas experiências em Tbilisi, a capital do país. “Essa viagem para a Geórgia traz um contexto diferente. Muita história, comidas incríveis e paisagens inesquecíveis.”

Supra com Eko, da Lagvinari
Uma das experiências que mais me aproximou da cultura georgiana foi participar de um supra, o tradicional banquete do país, na casa de Eko Glonti, produtor da Lagvinari. A mesa reúne pratos como khachapuri, chakapuli, pães, pastas, saladas e carnes, sempre acompanhados de vinho.
Mas o supra é muito mais do que uma refeição: é um ritual de encontro e celebração, conduzido pelos brindes do tamada, o mestre de cerimônias da mesa. Os brindes podem ser dedicados à paz, à família, ao amor, à amizade e aos convidados. Eko ainda convidou amigos para participar da noite, que teve música, cantos e muita troca. Foi uma das experiências que melhor traduziram a hospitalidade georgiana e uma das mais especiais da minha vida.


Dry Bridge Market
A feira de antiguidades, conhecida como Dry Bridge Market, é quase um museu a céu aberto da história recente da Geórgia. Entre as bancas, é possível encontrar medalhas, câmeras, uniformes, livros, discos, louças, tapetes e muitos objetos do período da União Soviética. As louças e as tapeçarias foram algumas das coisas que mais me encantaram, além dos discos e livros. É também um ótimo lugar para garimpar peças por preços acessíveis e conversar com os vendedores.


OtsY
O Otsy foi um dos primeiros almoços da viagem e uma ótima introdução à gastronomia georgiana. Além do khachapuri e de outros pratos tradicionais, uma salada de queijo de cabra com frutas ficou especialmente marcada na minha memória.
O restaurante também mostra como comida e vinho ocupam um lugar importante na experiência georgiana. O espaço é lindo, bem iluminado e acolhedor, tornando o almoço numa ocasião além da gastronomia.


The Cone Culture
O The Cone Culture é uma forma mais inusitada de conhecer ingredientes e sabores da Geórgia. A sorveteria trabalha com ingredientes naturais e combinações pouco convencionais, como morango com manjericão e queijo azul, além de outros sabores que mudam ao longo do tempo.
O lugar fica em uma região mais residencial de Tbilisi, então a visita também permite observar um pouco da vida cotidiana da cidade, com crianças brincando, famílias e quadras ao redor. É uma experiência simples, divertida e diferente.

Keto & Kote
O Keto and Kote foi um dos restaurantes que mais me impressionaram em Tbilisi. A comida georgiana é maravilhosa, mas o grande destaque para mim foi o ambiente: uma decoração cheia de detalhes, atendimento impecável e uma atmosfera muito especial.
Entre os pratos, os que levavam tomates frescos foram inesquecíveis. No final de maio, eles estavam enormes, extremamente maduros, suculentos e cheios de sabor. Foi interessante perceber como ingredientes tão simples podem ter tanto protagonismo na culinária local.


White Studio Ceramics
No White Studio Ceramics, fizemos uma atividade de pintura inspirada no alfabeto georgiano. A Geórgia possui um sistema de escrita próprio, uma parte muito importante da identidade cultural do país. Tanto que a tradição dos três sistemas de escrita georgianos está inscrita na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO.
Também pintamos uma miniatura de kvevri, o recipiente de barro tradicional utilizado na produção do vinho georgiano. O método tradicional de produção em kvevri é uma das expressões mais importantes da cultura do país e também é reconhecido pela UNESCO. Foi uma atividade que conseguiu reunir dois elementos fundamentais da identidade georgiana: a língua e o vinho.

Catedral de Svetitskhoveli
Em Mtskheta, a Catedral de Svetitskhoveli foi uma das experiências mais marcantes da viagem. É um dos grandes símbolos do cristianismo ortodoxo georgiano e impressiona tanto pela arquitetura quanto pela história. No interior, as paredes são marcadas por pinturas, ícones e diferentes camadas de arte religiosa. Entre os elementos mais curiosos estão representações simbólicas como o Zodíaco e o chamado “Beast of the Apocalypse”, que revelam uma iconografia muito mais complexa do que simplesmente imagens religiosas.
A igreja também carrega séculos de história em um país marcado por guerras, invasões e terremotos. Para mim, o mais fascinante foi justamente perceber essas diferentes camadas: religião, história, arte e simbolismo convivendo no mesmo espaço.


